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    <title>Oibaf&#39;s Tech Corner</title>
    <link>https://blog.tramasoli.com/oibaf/</link>
    <description>Alguns posts técnicos com experiências minhas nessa indústria vital que é a T. I.</description>
    <pubDate>Fri, 05 Jun 2026 20:35:47 +0000</pubDate>
    <item>
      <title>Vibe coding rant</title>
      <link>https://blog.tramasoli.com/oibaf/vibe-coding-rant</link>
      <description>&lt;![CDATA[desabafo&#xA;&#xA;As relações de trabalho têm tensões entre aqueles que fazem e aqueles que mandam. Inspirados por Taylor, os gestores tentam se apossar do tempo e do trabalho, extirpando o quanto for possível o poder detido pelos trabalhadores. Há várias formas disso se manifestar: desde ditar o tempo que uma tarefa deve ser feita, tratando pessoas como máquinas precisas e inequívocas, a remover o conhecimento sobre o trabalho dos trabalhadores, reduzindo suas atividades a tarefas repetitivas, tornando-os substituíveis. A sociedade moderna tem um nome bonito para a última forma citada anteriormente: automação. Minha profissão - desenvolvedor de software - é uma das que mais colabora para que a automação se concretize e transforma o mercado de trabalho há décadas, eliminando postos de trabalho com a justificativa de incremento de eficiência.&#xA;&#xA;Hoje, tenho a facilidade de entrar em contato com centrais de atendimento diversas da comodidade da minha casa graças à automação. Hoje, também, tenho a dificuldade de ser atendido em meus pedidos mais simples por essas mesmas centrais de atendimento graças à automação. No que isso aumentou a eficiência do atendimento para mim? Em nada. Preferia me deslocar até o banco, até a operadora de internet ou telefone e falar com uma pessoa, como faziam os Maias, que resolveria meu problema com uma simples conversa. Tenho essa opção hoje, mas o atendente da loja utiliza o mesmo sistema do atendente da central telefônica, a eficiência da empresa tornou ambos os atendimentos igualmente ineficazes para resolução do meu problema.&#xA;&#xA;Meus antepassados das eras do COBOL, Clipper, Delphi e outras línguas quase mortas da TI faziam apenas o seu trabalho ao especificar e implementar sistemas corporativos, tornando obsoletos, um a um, papéis da força de trabalho que os gestores diziam ser ineficientes. Minha geração seguiu de forma acelerada essa mesma prática, pois esse é o nosso trabalho: sistematizar, otimizar. Nos tornamos importantes para as corporações, muitos gestores dizem até que nos tornamos &#34;importantes demais&#34;, algumas vezes chegando a exigir das organizações volumosas (e cada vez maiores) somas financeiras, que talvez extrapolem pelas dezenas de vezes o valor dos empregos que automatizamos, para desgosto e simultâneo deleite dos gestores. Lembremo-nos do caso das centrais de atendimento, a eficiência pode ser medida por diferentes dimensões, e dinheiro não é a única. Sistemas digitais são particularmente eficientes em aumentar o controle, a vigilância e a impessoalidade.&#xA;&#xA;Todo esse contexto me traz ao assunto principal (que a prolixidade me fez circundar um pouco): vibe coding. Há décadas os gestores propagam mágicas para substituir os programadores, esses sanguessugas de dinheiro arrogantes e complicados, que sempre colocam alguma dificuldade para a evolução das organizações. Foram diversas promessas de aplicações para gerar aplicações com pouco ou nenhum conhecimento de programação, vendidas como balas de prata a gestores menos cautelosos, que pagaram por seu arrojo com decepção. Ao longo dos anos mudaram de nome, mudaram de forma, low-code, no-code, everyone should learn to code. Todas são tentativas de destruir a carreira de programador.&#xA;&#xA;Mas essa indústria da tecnologia aprende e se adapta muito rápido, sabem que ideias que não dão certo devem ser descartadas e substituídas por novas, tudo é hype e a pressa é criar o novo hype para ganhar dinheiro, mesmo que mentindo, aproveitar e surfar a onda enquanto a maré estiver propícia, ao mesmo tempo procura outra praia menos frequentada para o próximo verão. Embora as tentativas de acabar com a carreira de programador não tenham dado certo, o objetivo continua vivo e à espera de uma nova desculpa ou técnica avassaladora, eis que as LLMs chegam e começam a criar código. Aí está, vamos inventar uma nova forma de programar: vamos comandar uma LLM e deixar que ela transforme nossa linguagem natural em código.&#xA;&#xA;CEOs de empresas de tecnologia alegam que isso vai diminuir custos, aumentar produtividade, aumentar eficiência, fazem layoff de engenheiros de software, contratam menos pessoas inexperientes, tudo para alimentar a ideia de que essa é a bala de prata que vai &#34;democratizar&#34; o desenvolvimento de software.&#xA;&#xA;Paro por aqui, meu estômago ronca, não sou uma máquina :)&#xA;&#xA;por Oibaf Ilosamart&#xD;&#xA;LinkedIn | GitHub | GitLab | Mastodon]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p><a href="/oibaf/tag:desabafo" class="hashtag" rel="nofollow"><span>#</span><span class="p-category">desabafo</span></a></p>

<p>As relações de trabalho têm tensões entre aqueles que fazem e aqueles que mandam. Inspirados por Taylor, os gestores tentam se apossar do tempo e do trabalho, extirpando o quanto for possível o poder detido pelos trabalhadores. Há várias formas disso se manifestar: desde ditar o tempo que uma tarefa deve ser feita, tratando pessoas como máquinas precisas e inequívocas, a remover o conhecimento sobre o trabalho dos trabalhadores, reduzindo suas atividades a tarefas repetitivas, tornando-os substituíveis. A sociedade moderna tem um nome bonito para a última forma citada anteriormente: automação. Minha profissão – desenvolvedor de software – é uma das que mais colabora para que a automação se concretize e transforma o mercado de trabalho há décadas, eliminando postos de trabalho com a justificativa de incremento de eficiência.</p>

<p>Hoje, tenho a facilidade de entrar em contato com centrais de atendimento diversas da comodidade da minha casa graças à automação. Hoje, também, tenho a dificuldade de ser atendido em meus pedidos mais simples por essas mesmas centrais de atendimento graças à automação. No que isso aumentou a eficiência do atendimento para mim? Em nada. Preferia me deslocar até o banco, até a operadora de internet ou telefone e falar com uma pessoa, como faziam os Maias, que resolveria meu problema com uma simples conversa. Tenho essa opção hoje, mas o atendente da loja utiliza o mesmo sistema do atendente da central telefônica, a eficiência da empresa tornou ambos os atendimentos igualmente ineficazes para resolução do meu problema.</p>

<p>Meus antepassados das eras do COBOL, Clipper, Delphi e outras línguas quase mortas da TI faziam apenas o seu trabalho ao especificar e implementar sistemas corporativos, tornando obsoletos, um a um, papéis da força de trabalho que os gestores diziam ser ineficientes. Minha geração seguiu de forma acelerada essa mesma prática, pois esse é o nosso trabalho: sistematizar, otimizar. Nos tornamos importantes para as corporações, muitos gestores dizem até que nos tornamos “importantes demais”, algumas vezes chegando a exigir das organizações volumosas (e cada vez maiores) somas financeiras, que talvez extrapolem pelas dezenas de vezes o valor dos empregos que automatizamos, para desgosto e simultâneo deleite dos gestores. Lembremo-nos do caso das centrais de atendimento, a eficiência pode ser medida por diferentes dimensões, e dinheiro não é a única. Sistemas digitais são particularmente eficientes em aumentar o controle, a vigilância e a impessoalidade.</p>

<p>Todo esse contexto me traz ao assunto principal (que a prolixidade me fez circundar um pouco): <em>vibe coding</em>. Há décadas os gestores propagam mágicas para substituir os programadores, esses sanguessugas de dinheiro arrogantes e complicados, que sempre colocam alguma dificuldade para a evolução das organizações. Foram diversas promessas de aplicações para gerar aplicações com pouco ou nenhum conhecimento de programação, vendidas como balas de prata a gestores menos cautelosos, que pagaram por seu arrojo com decepção. Ao longo dos anos mudaram de nome, mudaram de forma, <em>low-code</em>, <em>no-code</em>, <em>everyone should learn to code</em>. Todas são tentativas de destruir a carreira de programador.</p>

<p>Mas essa indústria da tecnologia aprende e se adapta muito rápido, sabem que ideias que não dão certo devem ser descartadas e substituídas por novas, tudo é <em>hype</em> e a pressa é criar o novo <em>hype</em> para ganhar dinheiro, mesmo que mentindo, aproveitar e surfar a onda enquanto a maré estiver propícia, ao mesmo tempo procura outra praia menos frequentada para o próximo verão. Embora as tentativas de acabar com a carreira de programador não tenham dado certo, o objetivo continua vivo e à espera de uma nova desculpa ou técnica avassaladora, eis que as LLMs chegam e começam a criar código. Aí está, vamos inventar uma nova forma de programar: vamos comandar uma LLM e deixar que ela transforme nossa linguagem natural em código.</p>

<p>CEOs de empresas de tecnologia alegam que isso vai diminuir custos, aumentar produtividade, aumentar eficiência, fazem <em>layoff</em> de engenheiros de software, contratam menos pessoas inexperientes, tudo para alimentar a ideia de que essa é a bala de prata que vai “democratizar” o desenvolvimento de software.</p>

<p>Paro por aqui, meu estômago ronca, não sou uma máquina :)</p>

<h3 id="por-oibaf-ilosamart" id="por-oibaf-ilosamart">por Oibaf Ilosamart</h3>

<p><a href="https://www.linkedin.com/in/ilosamart/" rel="nofollow">LinkedIn</a> | <a href="https://github.com/ilosamart" rel="nofollow">GitHub</a> | <a href="https://gitlab.com/ilosamart" rel="nofollow">GitLab</a> | <a href="https://bolha.us/@ilosamart" rel="nofollow">Mastodon</a></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.tramasoli.com/oibaf/vibe-coding-rant</guid>
      <pubDate>Fri, 07 Nov 2025 14:26:26 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Aventuras com Alembic e Oracle conteinerizado</title>
      <link>https://blog.tramasoli.com/oibaf/aventuras-com-alembic-e-oracle-conteinerizado</link>
      <description>&lt;![CDATA[Estava desenvolvendo uma aplicação com python+alembic e utilizando PostgreSQL como banco de dados. No meio do caminho foi necessário mudar para Oracle e adicionar uma coluna a um modelo do banco. Até aqui, nada de anormal, eis que tento gerar as database migrations automaticamente com o alembic e ele gera o comando para criar a tabela inteira novamente...&#xA;&#xA;Googles, Bings, Stacks Overflows e outros links depois, nenhum deles resolvia o meu problema. Tanto o Oracle quanto o PostgreSQL no ambiente de desenvolvimento local rodam em conteineres, no PostgreSQL esse problema não se manifestava, somente no Oracle.&#xA;&#xA;Bem... eis que vou ao código-fonte do alembic para ver o que poderia ser e me deparo com a consulta feita para detectar as tabelas já existentes e suas colunas, índices e outros itens, executo a consulta no banco Oracle local e nada é retornado... estranho.&#xA;&#xA;Pois bem, o Oracle em docker utiliza o tablespace system sempre... e a consulta do alembic desconsidera esse tablespace... bingo!&#xA;&#xA;A solução foi simples, no script de inicialização da base de desenvolvimento, criei um tablespace específico e problema resolvido. O script compartilho abaixo:&#xA;&#xA;-- Coloque scripts iniciais aqui&#xA;ALTER SESSION SET container=APPDBDEV;&#xA;&#xA;-- Alembic FIX :)&#xA;CREATE TABLESPACE dbuser &#xA;  DATAFILE &#39;dbuser.dbf&#39; &#xA;  SIZE 200M &#xA;  autoextend ON maxsize 2000M&#xA;  ONLINE&#xA;;&#xA;&#xA;CREATE USER dbuser identified BY dbuser DEFAULT tablespace dbuser;&#xA;ALTER USER dbuser quota UNLIMITED ON dbuser;&#xA;&#xA;GRANT CONNECT, RESOURCE TO dbuser;&#xA;GRANT CREATE SESSION TO dbuser;&#xA;&#xA;por Oibaf Ilosamart&#xD;&#xA;LinkedIn | GitHub | GitLab | Mastodon]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Estava desenvolvendo uma aplicação com python+alembic e utilizando PostgreSQL como banco de dados. No meio do caminho foi necessário mudar para Oracle e adicionar uma coluna a um modelo do banco. Até aqui, nada de anormal, eis que tento gerar as <em>database migrations</em> automaticamente com o <em>alembic</em> e ele gera o comando para criar a tabela inteira novamente...</p>

<p>Googles, Bings, Stacks Overflows e outros links depois, nenhum deles resolvia o meu problema. Tanto o Oracle quanto o PostgreSQL no ambiente de desenvolvimento local rodam em conteineres, no PostgreSQL esse problema não se manifestava, somente no Oracle.</p>

<p>Bem... eis que vou ao código-fonte do <em>alembic</em> para ver o que poderia ser e me deparo com a consulta feita para detectar as tabelas já existentes e suas colunas, índices e outros itens, executo a consulta no banco Oracle local e nada é retornado... estranho.</p>

<p>Pois bem, o Oracle em docker utiliza o <em>tablespace</em> <em>system</em> sempre... e a consulta do <em>alembic</em> desconsidera esse <em>tablespace</em>... bingo!</p>

<p>A solução foi simples, no <em>script</em> de inicialização da base de desenvolvimento, criei um <em>tablespace</em> específico e problema resolvido. O <em>script</em> compartilho abaixo:</p>

<pre><code class="language-sql">-- Coloque scripts iniciais aqui
ALTER SESSION SET container=APPDBDEV;

-- Alembic FIX :)
CREATE TABLESPACE dbuser 
  DATAFILE &#39;dbuser.dbf&#39; 
  SIZE 200M 
  autoextend ON maxsize 2000M
  ONLINE
;

CREATE USER dbuser identified BY dbuser DEFAULT tablespace dbuser;
ALTER USER dbuser quota UNLIMITED ON dbuser;

GRANT CONNECT, RESOURCE TO dbuser;
GRANT CREATE SESSION TO dbuser;

</code></pre>

<h3 id="por-oibaf-ilosamart" id="por-oibaf-ilosamart">por Oibaf Ilosamart</h3>

<p><a href="https://www.linkedin.com/in/ilosamart/" rel="nofollow">LinkedIn</a> | <a href="https://github.com/ilosamart" rel="nofollow">GitHub</a> | <a href="https://gitlab.com/ilosamart" rel="nofollow">GitLab</a> | <a href="https://bolha.us/@ilosamart" rel="nofollow">Mastodon</a></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.tramasoli.com/oibaf/aventuras-com-alembic-e-oracle-conteinerizado</guid>
      <pubDate>Tue, 08 Apr 2025 21:03:52 +0000</pubDate>
    </item>
    <item>
      <title>Free Software e a Ética Socialista</title>
      <link>https://blog.tramasoli.com/oibaf/free-software-e-a-etica-socialista</link>
      <description>&lt;![CDATA[  Aviso: não sou expert em economia, sociologia, filosofia,&#xA;  história, marxismo, socialismo ou afins, essa é uma visão particular&#xA;  sobre um tópico corriqueiro e, acredito, mal interpretado,&#xA;  na comunidade Free Libre Open Source (FLOSS).&#xA;&#xA;  Fortemente influenciado pelo seguinte artigo: How to Be an Anticapitalist Today .&#xA;&#xA;Antes de entrarmos no cerne da questão, ressalto que me considero&#xA;um socialista e estou envolvido com free software (prefiro esse&#xA;termo ao open source, daí se deriva alguma coisa) há vinte anos,&#xA;quase sempre como entusiasta e usuário (majoritariamente com Linux&#xA;e seu ecossistema).&#xA;&#xA;Isso esclarecido, pergunto: seria o movimento free software&#xA;um movimento socialista? Acredito que haja muita desinformação em&#xA;ambos, disso, e do fato de muitas pessoas entusiastas do free software também serem entusiastas (ou envolvidas mais diretamente) de causas socialistas, resulta uma certa confusão.&#xA;&#xA;Essa confusão não se faz por acaso, eu mesmo já fui enganado por ser&#xA;técnico e não perceber com clareza certos aspectos filosóficos. O termo&#xA;mais correto que define o movimento software livre é libertário&#xA;e sua definição não possui somente aspectos técnicos ou jurídicos, é&#xA;composta também por aspectos filosóficos que são indissociáveis dela.&#xA;O movimento preza por quatro liberdades, que devem ser todas &#xA;garantidas aos usuários do software (aspectos técnicos e jurídicos), geralmente são o destaque de qualquer artigo tratando do movimento, da licença ou da entidade software livre, mas aqui pretendo me ater &#xA;ao aspecto filosófico, o parágrafo escrito logo após a listagem e explicação das liberdades, cito (destaques meus):&#xA;&#xA;  Um programa é software livre se ele dá aos usuários todas essas&#xA;  liberdades de forma adequada. Do contrário, ele é não livre. &#xA;  Enquanto nós podemos distinguir vários esquemas de distribuição &#xA;  não livres em termos de eles falham em serem livres, consideramos &#xA;  todos eles igualmente antiéticos.&#xA;&#xA;Vejamos, enquanto podemos distinguir em que aspecto a distribuição&#xA;falha em ser livre, não podemos, pelos termos da definição de &#xA;software livre, fazer qualquer distinção ética entre eles. Todos&#xA;são &#34;igualmente antiéticos&#34;. Esse parágrafo é importante porque nele&#xA;está contido, principalmente na última sentença, o espírito e a&#xA;intenção do movimento: ser ético e ético é quem dá liberdade&#xA;ao usuário do software de fazer com ele o que bem entender (inclusive&#xA;ganhar dinheiro).&#xA;&#xA;Aqui, paramos um momento para falarmos sobre socialismo, muitas vezes&#xA;confundido (ou intercambiado) com comunismo, não para fins desse&#xA;artigo. Socialismo, basicamente, prega que os meios de produção e distribuição dos bens devem ser de propriedade e regulação da&#xA;comunidade e não de indivíduos e privados. Ao contrário do senso comum,&#xA;o socialismo é, portanto, libertário, pois:&#xA;&#xA;iguala a todos como trabalhadores (não há mais a figura do capitalista, que se apropria da força de trabalho)&#xA;reforça a democracia (dá aos trabalhadores poder sobre os meios de produção)&#xA;&#xA;Fora esses aspectos, o socialismo reconhece as conquistas do &#xA;capitalismo: avanço tecnológico, melhoria das condições básicas e &#xA;expectativa de vida; mas ele reconhece também as falhas do sistema e as&#xA;considera antiéticas: desigualdade social (profunda ou não, igualmente&#xA;antiéticas), condicionamento de trabalhadores a vontades da burguesia&#xA;(que controla os meios de produção e distribuição bem como o sistema de &#xA;governo - mesmo que democrático e bem estabelecido).&#xA;&#xA;Nesse momento, podemos ter uma ideia de que ambos os movimentos são,&#xA;sim, em essência, a mesma filosofia libertária, mas incorporados por&#xA;diferentes propósitos. Enquanto o software livre tem como objetivo&#xA;retirar o controle do sistema de empresas de software e dá-lo ao &#xA;usuário, o movimento socialista pretende retirar o controle do&#xA;capital e dá-lo ao coletivo (chame como quiser: sociedade, comunidade,&#xA;trabalhadores). Outro paralelo possível diz respeito à deturpação dos&#xA;valores filosóficos ressaltados até aqui. A exemplo do que aconteceu na&#xA;Rússia no começo do século XX, quando Stálin tomou o movimento&#xA;socialista para si, a indústria do software cooptou o movimento software livre e o repaginou sob o nome open source.&#xA;&#xA;Note-se que muitas vezes isso, em termos práticos, resulta em produtos&#xA;software livre, mas nem sempre. Já sob a ótica filosófica, são &#xA;completamente distintos. Infelizmente, assim como associamos o &#xA;socialismo somente à Rússia ou à URSS, também associamos o software livre e seu movimento somente ao open source. E isso faz com que a confusão citada no início do artigo surja, já que o &#34;comunismo soviético&#34; é uma outra roupagem de um sistema que aprisiona os trabalhadores (e do pior tipo: autoritário, diametralmente oposto aos ideais libertários do movimento original); já o open source é uma nova roupagem para o free software, uma palatável ao mercado e aos  capitalistas, meramente um modelo de negócios, que não se preocupa com as liberdades dos usuários, mas somente com os lucros das empresas (deriva-se daí o open core e produtos como Google Chrome, Android, Visual Studio Code, onde temos no executável entregue ao usuário final código diverso ao disponível em repositórios públicos e removido o direito do usuário descompilar esses binários).&#xA;&#xA;Finalizando, podemos pensar ser melhor o open core do que o modelo de código proprietário, mas voltemos à filosofia do movimento: são igualmente antiéticos. Em tempos onde o open source é um termo mais utilizado do que o original, free software, a ponto de sermos obrigados a cunhar um terceiro (utilizado nesse artigo: free libre open source software), é ainda mais importante que saibamos a diferença entre os dois, que entendamos a filosofia motriz de cada um e que não caiamos em falácias, principalmente as técnicas, cito do artigo um exemplo:&#xA;&#xA;  A ideia do código aberto é que permitir aos usuários mudar e redistribuir o software irá torná-lo mais poderoso e confiável. Porém, isso não é garantido. Desenvolvedores de software proprietário não são necessariamente incompetentes. Às vezes, eles produzem um programa que é poderoso e confiável, ainda que ele não respeite a liberdade dos usuários. Os ativistas do software livre e entusiastas do código aberto irão reagir de modo bem diferente a isso.&#xA;&#xA;[1]: https://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html&#xA;[2]: https://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.pt-br.html&#xA;[3]: https://www.jacobinmag.com/2015/12/erik-olin-wright-real-utopias-anticapitalism-democracy/&#xA;&#xA;por Oibaf Ilosamart&#xD;&#xA;LinkedIn | GitHub | GitLab | Mastodon]]&gt;</description>
      <content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><strong>Aviso</strong>: não sou <em>expert</em> em economia, sociologia, filosofia,
história, marxismo, socialismo ou afins, essa é uma visão particular
sobre um tópico corriqueiro e, acredito, mal interpretado,
na comunidade <em>Free Libre Open Source</em> (FLOSS).</p>

<p><strong>Fortemente influenciado pelo seguinte artigo</strong>: <a href="https://www.jacobinmag.com/2015/12/erik-olin-wright-real-utopias-anticapitalism-democracy/" rel="nofollow">How to Be an Anticapitalist Today</a> .</p></blockquote>

<p>Antes de entrarmos no cerne da questão, ressalto que me considero
um socialista e estou envolvido com <em>free software</em> (prefiro esse
termo ao <em>open source</em>, daí se deriva alguma coisa) há vinte anos,
quase sempre como entusiasta e usuário (majoritariamente com Linux
e seu ecossistema).</p>

<p>Isso esclarecido, pergunto: seria o movimento <em>free software</em>
um movimento <em>socialista</em>? Acredito que haja muita desinformação em
ambos, disso, e do fato de muitas pessoas entusiastas do <em>free software</em> também serem entusiastas (ou envolvidas mais diretamente) de causas <em>socialistas</em>, resulta uma certa confusão.</p>

<p>Essa confusão não se faz por acaso, eu mesmo já fui enganado por ser
técnico e não perceber com clareza certos aspectos filosóficos. O termo
mais correto que define o movimento <em>software livre</em> é <strong>libertário</strong>
e sua definição não possui somente aspectos técnicos ou jurídicos, é
composta também por aspectos filosóficos que são indissociáveis dela.
O movimento preza por <a href="https://www.gnu.org/philosophy/free-sw.pt-br.html" rel="nofollow">quatro liberdades</a>, que devem ser todas
garantidas aos usuários do <em>software</em> (aspectos técnicos e jurídicos), geralmente são o destaque de qualquer artigo tratando do movimento, da licença ou da entidade <em>software livre</em>, mas aqui pretendo me ater
ao aspecto filosófico, o parágrafo escrito logo após a listagem e explicação das liberdades, cito (destaques meus):</p>

<blockquote><p>Um programa é software livre se ele dá aos usuários <em>todas</em> essas
liberdades de forma adequada. Do contrário, ele é não livre.
<strong>Enquanto nós podemos distinguir vários esquemas de distribuição
não livres em termos de eles falham em serem livres, consideramos
todos eles igualmente antiéticos.</strong></p></blockquote>

<p>Vejamos, enquanto podemos distinguir em que aspecto a distribuição
falha em ser livre, não podemos, pelos termos da definição de
<em>software livre</em>, fazer qualquer distinção ética entre eles. Todos
são “igualmente antiéticos”. Esse parágrafo é importante porque nele
está contido, principalmente na última sentença, o espírito e a
<em>intenção</em> do movimento: ser ético e ético é quem dá liberdade
ao usuário do <em>software</em> de fazer com ele o que bem entender (inclusive
ganhar dinheiro).</p>

<p>Aqui, paramos um momento para falarmos sobre <em>socialismo</em>, muitas vezes
confundido (ou intercambiado) com <em>comunismo</em>, não para fins desse
artigo. Socialismo, basicamente, prega que os meios de produção e distribuição dos bens devem ser de propriedade e regulação da
comunidade e não de indivíduos e privados. Ao contrário do senso comum,
o socialismo é, portanto, libertário, pois:</p>
<ol><li>iguala a todos como trabalhadores (não há mais a figura do capitalista, que se apropria da força de trabalho)</li>
<li>reforça a democracia (dá aos trabalhadores poder sobre os meios de produção)</li></ol>

<p>Fora esses aspectos, o socialismo reconhece as conquistas do
capitalismo: avanço tecnológico, melhoria das condições básicas e
expectativa de vida; mas ele reconhece também as falhas do sistema e as
considera antiéticas: desigualdade social (profunda ou não, igualmente
antiéticas), condicionamento de trabalhadores a vontades da burguesia
(que controla os meios de produção e distribuição bem como o sistema de
governo – mesmo que democrático e bem estabelecido).</p>

<p>Nesse momento, podemos ter uma ideia de que ambos os movimentos são,
sim, em essência, a mesma filosofia libertária, mas incorporados por
diferentes propósitos. Enquanto o <em>software livre</em> tem como objetivo
retirar o controle do sistema de empresas de <em>software</em> e dá-lo ao
usuário, o movimento <em>socialista</em> pretende retirar o controle do
<em>capital</em> e dá-lo ao coletivo (chame como quiser: sociedade, comunidade,
trabalhadores). Outro paralelo possível diz respeito à deturpação dos
valores filosóficos ressaltados até aqui. A exemplo do que aconteceu na
Rússia no começo do século XX, quando Stálin tomou o movimento
socialista para si, a indústria do <em>software</em> cooptou o movimento <em>software livre</em> e o repaginou sob o nome <a href="https://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.pt-br.html" rel="nofollow"><em>open source</em></a>.</p>

<p>Note-se que muitas vezes isso, em termos práticos, resulta em produtos
<em>software livre</em>, mas nem sempre. Já sob a ótica filosófica, são
completamente distintos. Infelizmente, assim como associamos o
socialismo somente à Rússia ou à URSS, também associamos o <em>software livre</em> e seu movimento somente ao <em>open source</em>. E isso faz com que a confusão citada no início do artigo surja, já que o “comunismo soviético” é uma outra roupagem de um sistema que aprisiona os trabalhadores (e do pior tipo: autoritário, diametralmente oposto aos ideais libertários do movimento original); já o <em>open source</em> é uma nova roupagem para o <em>free software</em>, uma palatável ao mercado e aos  capitalistas, meramente um modelo de negócios, que não se preocupa com as liberdades dos usuários, mas <em>somente</em> com os lucros das empresas (deriva-se daí o <em>open core</em> e produtos como <em>Google Chrome</em>, <em>Android</em>, <em>Visual Studio Code</em>, onde temos no executável entregue ao usuário final código diverso ao disponível em repositórios públicos e removido o direito do usuário descompilar esses binários).</p>

<p>Finalizando, podemos pensar ser melhor o <em>open core</em> do que o modelo de código proprietário, mas voltemos à filosofia do movimento: são igualmente antiéticos. Em tempos onde o <em>open source</em> é um termo mais utilizado do que o original, <em>free software</em>, a ponto de sermos obrigados a cunhar um terceiro (utilizado nesse artigo: <em>free libre open source software</em>), é ainda mais importante que saibamos a diferença entre os dois, que entendamos a filosofia motriz de cada um e que não caiamos em falácias, principalmente as técnicas, cito do <a href="https://www.gnu.org/philosophy/open-source-misses-the-point.pt-br.html" rel="nofollow">artigo</a> um exemplo:</p>

<blockquote><p>A ideia do código aberto é que permitir aos usuários mudar e redistribuir o software irá torná-lo mais poderoso e confiável. Porém, isso não é garantido. Desenvolvedores de software proprietário não são necessariamente incompetentes. Às vezes, eles produzem um programa que é poderoso e confiável, ainda que ele não respeite a liberdade dos usuários. Os ativistas do software livre e entusiastas do código aberto irão reagir de modo bem diferente a isso.</p></blockquote>

<h3 id="por-oibaf-ilosamart" id="por-oibaf-ilosamart">por Oibaf Ilosamart</h3>

<p><a href="https://www.linkedin.com/in/ilosamart/" rel="nofollow">LinkedIn</a> | <a href="https://github.com/ilosamart" rel="nofollow">GitHub</a> | <a href="https://gitlab.com/ilosamart" rel="nofollow">GitLab</a> | <a href="https://bolha.us/@ilosamart" rel="nofollow">Mastodon</a></p>
]]></content:encoded>
      <guid>https://blog.tramasoli.com/oibaf/free-software-e-a-etica-socialista</guid>
      <pubDate>Sat, 11 Nov 2023 00:47:44 +0000</pubDate>
    </item>
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