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    <title>desabafo &amp;mdash; Oibaf&#39;s Tech Corner</title>
    <link>https://blog.tramasoli.com/oibaf/tag:desabafo</link>
    <description>Alguns posts técnicos com experiências minhas nessa indústria vital que é a T. I.</description>
    <pubDate>Fri, 05 Jun 2026 21:40:58 +0000</pubDate>
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      <title>Vibe coding rant</title>
      <link>https://blog.tramasoli.com/oibaf/vibe-coding-rant</link>
      <description>&lt;![CDATA[desabafo&#xA;&#xA;As relações de trabalho têm tensões entre aqueles que fazem e aqueles que mandam. Inspirados por Taylor, os gestores tentam se apossar do tempo e do trabalho, extirpando o quanto for possível o poder detido pelos trabalhadores. Há várias formas disso se manifestar: desde ditar o tempo que uma tarefa deve ser feita, tratando pessoas como máquinas precisas e inequívocas, a remover o conhecimento sobre o trabalho dos trabalhadores, reduzindo suas atividades a tarefas repetitivas, tornando-os substituíveis. A sociedade moderna tem um nome bonito para a última forma citada anteriormente: automação. Minha profissão - desenvolvedor de software - é uma das que mais colabora para que a automação se concretize e transforma o mercado de trabalho há décadas, eliminando postos de trabalho com a justificativa de incremento de eficiência.&#xA;&#xA;Hoje, tenho a facilidade de entrar em contato com centrais de atendimento diversas da comodidade da minha casa graças à automação. Hoje, também, tenho a dificuldade de ser atendido em meus pedidos mais simples por essas mesmas centrais de atendimento graças à automação. No que isso aumentou a eficiência do atendimento para mim? Em nada. Preferia me deslocar até o banco, até a operadora de internet ou telefone e falar com uma pessoa, como faziam os Maias, que resolveria meu problema com uma simples conversa. Tenho essa opção hoje, mas o atendente da loja utiliza o mesmo sistema do atendente da central telefônica, a eficiência da empresa tornou ambos os atendimentos igualmente ineficazes para resolução do meu problema.&#xA;&#xA;Meus antepassados das eras do COBOL, Clipper, Delphi e outras línguas quase mortas da TI faziam apenas o seu trabalho ao especificar e implementar sistemas corporativos, tornando obsoletos, um a um, papéis da força de trabalho que os gestores diziam ser ineficientes. Minha geração seguiu de forma acelerada essa mesma prática, pois esse é o nosso trabalho: sistematizar, otimizar. Nos tornamos importantes para as corporações, muitos gestores dizem até que nos tornamos &#34;importantes demais&#34;, algumas vezes chegando a exigir das organizações volumosas (e cada vez maiores) somas financeiras, que talvez extrapolem pelas dezenas de vezes o valor dos empregos que automatizamos, para desgosto e simultâneo deleite dos gestores. Lembremo-nos do caso das centrais de atendimento, a eficiência pode ser medida por diferentes dimensões, e dinheiro não é a única. Sistemas digitais são particularmente eficientes em aumentar o controle, a vigilância e a impessoalidade.&#xA;&#xA;Todo esse contexto me traz ao assunto principal (que a prolixidade me fez circundar um pouco): vibe coding. Há décadas os gestores propagam mágicas para substituir os programadores, esses sanguessugas de dinheiro arrogantes e complicados, que sempre colocam alguma dificuldade para a evolução das organizações. Foram diversas promessas de aplicações para gerar aplicações com pouco ou nenhum conhecimento de programação, vendidas como balas de prata a gestores menos cautelosos, que pagaram por seu arrojo com decepção. Ao longo dos anos mudaram de nome, mudaram de forma, low-code, no-code, everyone should learn to code. Todas são tentativas de destruir a carreira de programador.&#xA;&#xA;Mas essa indústria da tecnologia aprende e se adapta muito rápido, sabem que ideias que não dão certo devem ser descartadas e substituídas por novas, tudo é hype e a pressa é criar o novo hype para ganhar dinheiro, mesmo que mentindo, aproveitar e surfar a onda enquanto a maré estiver propícia, ao mesmo tempo procura outra praia menos frequentada para o próximo verão. Embora as tentativas de acabar com a carreira de programador não tenham dado certo, o objetivo continua vivo e à espera de uma nova desculpa ou técnica avassaladora, eis que as LLMs chegam e começam a criar código. Aí está, vamos inventar uma nova forma de programar: vamos comandar uma LLM e deixar que ela transforme nossa linguagem natural em código.&#xA;&#xA;CEOs de empresas de tecnologia alegam que isso vai diminuir custos, aumentar produtividade, aumentar eficiência, fazem layoff de engenheiros de software, contratam menos pessoas inexperientes, tudo para alimentar a ideia de que essa é a bala de prata que vai &#34;democratizar&#34; o desenvolvimento de software.&#xA;&#xA;Paro por aqui, meu estômago ronca, não sou uma máquina :)&#xA;&#xA;por Oibaf Ilosamart&#xD;&#xA;LinkedIn | GitHub | GitLab | Mastodon]]&gt;</description>
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<p>As relações de trabalho têm tensões entre aqueles que fazem e aqueles que mandam. Inspirados por Taylor, os gestores tentam se apossar do tempo e do trabalho, extirpando o quanto for possível o poder detido pelos trabalhadores. Há várias formas disso se manifestar: desde ditar o tempo que uma tarefa deve ser feita, tratando pessoas como máquinas precisas e inequívocas, a remover o conhecimento sobre o trabalho dos trabalhadores, reduzindo suas atividades a tarefas repetitivas, tornando-os substituíveis. A sociedade moderna tem um nome bonito para a última forma citada anteriormente: automação. Minha profissão – desenvolvedor de software – é uma das que mais colabora para que a automação se concretize e transforma o mercado de trabalho há décadas, eliminando postos de trabalho com a justificativa de incremento de eficiência.</p>

<p>Hoje, tenho a facilidade de entrar em contato com centrais de atendimento diversas da comodidade da minha casa graças à automação. Hoje, também, tenho a dificuldade de ser atendido em meus pedidos mais simples por essas mesmas centrais de atendimento graças à automação. No que isso aumentou a eficiência do atendimento para mim? Em nada. Preferia me deslocar até o banco, até a operadora de internet ou telefone e falar com uma pessoa, como faziam os Maias, que resolveria meu problema com uma simples conversa. Tenho essa opção hoje, mas o atendente da loja utiliza o mesmo sistema do atendente da central telefônica, a eficiência da empresa tornou ambos os atendimentos igualmente ineficazes para resolução do meu problema.</p>

<p>Meus antepassados das eras do COBOL, Clipper, Delphi e outras línguas quase mortas da TI faziam apenas o seu trabalho ao especificar e implementar sistemas corporativos, tornando obsoletos, um a um, papéis da força de trabalho que os gestores diziam ser ineficientes. Minha geração seguiu de forma acelerada essa mesma prática, pois esse é o nosso trabalho: sistematizar, otimizar. Nos tornamos importantes para as corporações, muitos gestores dizem até que nos tornamos “importantes demais”, algumas vezes chegando a exigir das organizações volumosas (e cada vez maiores) somas financeiras, que talvez extrapolem pelas dezenas de vezes o valor dos empregos que automatizamos, para desgosto e simultâneo deleite dos gestores. Lembremo-nos do caso das centrais de atendimento, a eficiência pode ser medida por diferentes dimensões, e dinheiro não é a única. Sistemas digitais são particularmente eficientes em aumentar o controle, a vigilância e a impessoalidade.</p>

<p>Todo esse contexto me traz ao assunto principal (que a prolixidade me fez circundar um pouco): <em>vibe coding</em>. Há décadas os gestores propagam mágicas para substituir os programadores, esses sanguessugas de dinheiro arrogantes e complicados, que sempre colocam alguma dificuldade para a evolução das organizações. Foram diversas promessas de aplicações para gerar aplicações com pouco ou nenhum conhecimento de programação, vendidas como balas de prata a gestores menos cautelosos, que pagaram por seu arrojo com decepção. Ao longo dos anos mudaram de nome, mudaram de forma, <em>low-code</em>, <em>no-code</em>, <em>everyone should learn to code</em>. Todas são tentativas de destruir a carreira de programador.</p>

<p>Mas essa indústria da tecnologia aprende e se adapta muito rápido, sabem que ideias que não dão certo devem ser descartadas e substituídas por novas, tudo é <em>hype</em> e a pressa é criar o novo <em>hype</em> para ganhar dinheiro, mesmo que mentindo, aproveitar e surfar a onda enquanto a maré estiver propícia, ao mesmo tempo procura outra praia menos frequentada para o próximo verão. Embora as tentativas de acabar com a carreira de programador não tenham dado certo, o objetivo continua vivo e à espera de uma nova desculpa ou técnica avassaladora, eis que as LLMs chegam e começam a criar código. Aí está, vamos inventar uma nova forma de programar: vamos comandar uma LLM e deixar que ela transforme nossa linguagem natural em código.</p>

<p>CEOs de empresas de tecnologia alegam que isso vai diminuir custos, aumentar produtividade, aumentar eficiência, fazem <em>layoff</em> de engenheiros de software, contratam menos pessoas inexperientes, tudo para alimentar a ideia de que essa é a bala de prata que vai “democratizar” o desenvolvimento de software.</p>

<p>Paro por aqui, meu estômago ronca, não sou uma máquina :)</p>

<h3 id="por-oibaf-ilosamart" id="por-oibaf-ilosamart">por Oibaf Ilosamart</h3>

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      <guid>https://blog.tramasoli.com/oibaf/vibe-coding-rant</guid>
      <pubDate>Fri, 07 Nov 2025 14:26:26 +0000</pubDate>
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