Cidadão de bem

#poesia

Sou o atirador de medo Snipper da razão Minha mira não é brinquedo Matou quase meio milhão

Sou o picareta profissional Viciado em corrupção No espelho só vejo o mal Mas blasfemo como um cristão

O que me mostram eu não vejo Pois na escuridão tudo é luz Meu preconceito, mero desejo Só um inocente preso à cruz

Não quero o pão ao pobre Nem mesmo o peixe ao faminto Que valorizem quando me sobre De meu café qualquer quinto

Sou o camelo pela agulha Trazendo as pedras e o atirador Quando há fogo, eu fui fagulha Quando não há, eu sou a dor

Com essa ferida eu vivo e mato Também morro, nenhum amor E vai pingando, último ato Desse meu sangue que derramou