Devaneios Genéricos

poesia

#poesia

Uma ferramenta de carne e osso, um cérebro quando necessário. Para pensar, que tenha endosso e se cale do contrário. O intelecto é só trabalho, a personalidade se limita ao salário! Como pessoa és um paspalho e como humano, só temporário.

Quando ressoar minha batuta, que pense E que produza mais do que o esperado. Quando eu quiser julgar, que escute minha sentença é: culpado. Culpado por negar filho à mulher, culpado por não ter estudo adequado, culpado, não importa se a esposa quer, culpado, potencial desperdiçado, culpado como pessoa, ótimo subordinado.

Aceita a sentença calado.


#poesia

Assim é a poesia Um sentimento impresso Apenas letra fria

Assim é a poesia Leitura doce ou triste Tudo o que eu queria

Emoção em torpor Na letra esquecida Se alimenta do leitor E renasce pra vida


#poesia

A modernidade líquida Nos dá a pessoa condensada Triturada, quase insípida Nessa batida de nada

A diversidade é tão linda Mas a pessoa simplificada No meio do grupo se finda Nessa identidade pasteurizada

Eu que nem sei quem sou Me isolo em pensamentos E consolo quem aqui ficou Estamos juntos e atentos


#poesia

Sou o atirador de medo Snipper da razão Minha mira não é brinquedo Matou quase meio milhão

Sou o picareta profissional Viciado em corrupção No espelho só vejo o mal Mas blasfemo como um cristão

O que me mostram eu não vejo Pois na escuridão tudo é luz Meu preconceito, mero desejo Só um inocente preso à cruz

Não quero o pão ao pobre Nem mesmo o peixe ao faminto Que valorizem quando me sobre De meu café qualquer quinto

Sou o camelo pela agulha Trazendo as pedras e o atirador Quando há fogo, eu fui fagulha Quando não há, eu sou a dor

Com essa ferida eu vivo e mato Também morro, nenhum amor E vai pingando, último ato Desse meu sangue que derramou


#poesia

Sou materialista sem matéria Reflexo falso no espelho Mera imagem deletéria Com veneno me assemelho

A homeopatia de uma cura Se perde em anos de amargura Quero a liberdade de ser Com a opacidade de poder

Sou nada, vim do nada Aceito tudo, fico mudo Pensamento não tem voz Pensamento, meu algoz

Não aguento pensamento Não aguento meu lamento Não aguento arrependimento Não aguento

Olhar pra frente é enfrentar A temida lente que não mente Que não finge e que atinge Tudo o que tento alcançar

Ser transparente não é ser sábio Ser transparente é reagir Ser é ser Fábio Ser é sentir


#poesia

Conforto-me ao escrever sobre minha desgraça Pois que, se alguém a ler, a esse alguém eis que se passa. Compartilhar um sentimento tão sombrio quanto possa [ser] Faz da fraqueza, meu tormento, uma derrota toda nossa. Uma felicidade egoísta como todas toma parte do criador Que se parte em tantas rotas e na solidão de um grande amor. Um desfecho trágico espera todo ser: quando seus dias terminarem É porque parou de sofrer.


#poesia

O motivo pelo qual escrevo Na verdade, em qualidade de leitor É o apreço alheio da vaidade Que procura comprador

Lês a quinta estrofe Do soneto morto à sexta Em busca de melhor sorte Nesta oitava besta

Jamais quiseste ser compositor Compuseste-lhe por um triz E ele se mudou

Porque sonetinho natimorto Nem soneto é Disfarçou-se de poeminha Pode ser o que quiser


#poesia

A teus semelhantes, a teia da fé Oferece catequese aos joelhos. A tua reza, imprecisa que é Revela humanidade nos espelhos.

A teus semelhantes, a caminhada pastoril Oferece porções dizimais de conhecimento. A tua cerca, imperfeita que é Revela humanidade no instrumento.


#poesia

Nasci em 1983 Mas morro todo dia Não sei se conheço vocês Nem por milagre saberia Antes de chegar a minha vez Eu sempre desistia Nem assim deixei de querer O que nunca teria E o que me faz sofrer É a falsa alegria De que um dia Pude ter Aquilo que mais me queria


#poesia

Os gaio se mexe, mas nem sempre as fôia cai pode vim vento soprá bem de perto que os gaio esperto sabe cumé que sai e se a arve toda balançá é uma dança de fôia no ar umas cai com muita pressa as otra quase que frutua porque sabe que numa dessa vê mais perto a dona lua